Amor é sorvete em dia quente
Abraço em dia frio
Um pouco de tudo
Preenchendo todo o vazio
É virar a vida ao avesso
Beijar com os olhos
Cheirar com a boca
Sorrir com os dedos
É a felicidade por antecipação
O reencontro que acalma
O grito suave na alma
O peito que bate em outro coração
Onde o milagre acontece
Onde Deus não vê pecado
O Amor não são migalhas
São os pães e peixes multiplicados.
domingo, 13 de abril de 2014
domingo, 12 de janeiro de 2014
De Olhos Fechados
Olhos
fechados, colados. A respiração leve e o corpo mais leve ainda. O cheiro no meu
travesseiro, ou tavez na minha mente, não sei. A tentativa bem sucedida de
reviver cada minuto intenso. Apaixonado.
Em um mundo paralelo onde as horas escorrem por entre os
dedos sem piedade. Mas onde você pode estar em uma praia quente, um céu
estrelado, um jardim florido se ele estiver lá. Onde você sente o gosto de mel
fresco, sorvete de flocos e suco de laranja na boca.
Não necessariamente
nessa ordem.
É uma antítese de sensações. É paz e inquietude ao mesmo tempo.
É calma e alvoroço. A alma mais pura e o fogo. É quando você se entrega sem
medo porque ele sabe o momento certo de parar.
Ele sempre sabe.
"A verdade é que só mostramos parte do sentimento. A outra parte só observa, fica no bolso pra quando solicitada."
Mas você não tem isso pra sempre. A memória, a sinestesia e
as palavras são o que sobra desses momentos mágicos. Pequenas dádivas que fazem
morada nos meus pensamentos distantes.
Onde eu sempre posso te encontrar.
De olhos fechados.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Amigos de Longa Data.
Por mais que haja o conhecimento mútuo e o desejo de fazer durar, os laços se afrouxam, as ligações se tornam mais raras e espaçadas. Quando vocês se reverem e olharem fundo nos olhos, nenhuma palavra precisará ser dita pra entender o momento. Vocês estarão felizes porque uma parte de você, aquela pessoa do passado, reconhece a amizade, as confidências, a música de percussão improvisada cantada num dia de chuva. A parte de outrora reconhece que um dia vocês disseram um pro outro que seria para sempre.
Na verdade, o sentimento não morreu, só continuou vivendo sem os dois.
E aqueles olhos que um dia foram tão cúmplices se enchem do reconhecimento de que "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia".
Antes, o outro era como a casa da infância onde você conhecia os esconderijos, o local certo dos móveis, o local exato das goteiras no inverno. Hoje você se pega perdido em pensamentos buscando palavras para preencher o silêncio constrangedor que que ficou, você se agarra às lembranças vividas na espera de que o outro também se lembre e de que aquele momento mágico de nostalgia vá trazer a intimidade, o jeito fácil de conversar, as piadas prediletas. Mas nada disso volta.
Primeiro vem o sofrimento, depois a conformação.
Você conhece uma nova pessoa, é cativado por ela e, mesmo sabendo do fim das coisas, não deixa de dizer a frase costumeira:
"Vai ser pra sempre!"
Na verdade, o sentimento não morreu, só continuou vivendo sem os dois.
E aqueles olhos que um dia foram tão cúmplices se enchem do reconhecimento de que "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia".
Antes, o outro era como a casa da infância onde você conhecia os esconderijos, o local certo dos móveis, o local exato das goteiras no inverno. Hoje você se pega perdido em pensamentos buscando palavras para preencher o silêncio constrangedor que que ficou, você se agarra às lembranças vividas na espera de que o outro também se lembre e de que aquele momento mágico de nostalgia vá trazer a intimidade, o jeito fácil de conversar, as piadas prediletas. Mas nada disso volta.
Primeiro vem o sofrimento, depois a conformação.
Você conhece uma nova pessoa, é cativado por ela e, mesmo sabendo do fim das coisas, não deixa de dizer a frase costumeira:
"Vai ser pra sempre!"
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Salgadinhos de Queijo.
É o detalhe que faltava, é o remédio certo. Sempre esteve lá e ponto.
Quando o outro se aproxima é que você passa a enxergar. Cones e bastonetes? Você nunca precisou deles, eles não funcionam. Você sempre precisou de um amor, esse funciona. Sempre.
Um supermercado vira um parque de diversões. Um colo vira uma cama. Os olhos, uma câmera.
A saliva, o copo d'água.
Parece que as cores ficam mais claras. Os sons ficam mais harmoniosos. Os sonhos brincam de pega-pega na sua mão. Os anjos da guarda murmuram um louvor a Deus enquanto observam, de perto, aquelas duas almas desejosas de se fundirem de um vez por todas.
É na presença que você sente o bater do coração. O coração do outro. Você sente um calor fluir, mas nunca atinge o equilíbrio térmico. O gás carbônico nunca foi tão necessário quanto nesse momento. Você descobre que nunca precisou aprender a respirar, ele respira por você.
Ele é o próprio ar.
Na ausência você é pego se confessando pelos cantos. Pede perdão até pelo que nem cometeu, para que continue merecendo. Você vê o arco-íris cinza, a imagem turva no espelho. Porque ele é o espelho perfeito. Você franze o cenho pra uma espinha aqui, faz biquinho pra uma gordurinha ali, e ele discorda. O espelho fala contigo e te convence de que você está errada. Te chama de linda até você se convencer disso! Ele estende os braços e te aceita.
Quando ele está lá o mundo muda a todo instante. Você se vê em cima de uma árvore enquanto ele conta os seus sinaizinhos. O saguão do prédio vira um salão de beleza enquanto eletenta penteia suas sobrancelhas e arruma sua franja. De repente você se vê em um consultório odontológico enquanto ele observa seus dentes.
Você sorri.
E quando ele te beija.. o mundo para. Você se esquece do próprio nome.
Quando ele não está lá, você faz de tudo pra sabotar a ausência. Você faz salgadinhos de queijo pra senti-lo mais perto. Ele adora seus salgadinhos...
Você gostaria que ele estivesse aqui. Mas nenhuma tristeza virá, nada virá pra enfraquecer o sentimento. Ele sempre estará aqui.
Ele e o sentimento.
Vou ali preparar uns salgadinhos de queijo.
E ele, com certeza, vai me jogar farinha e bagunçar meu cabelo.
Quando o outro se aproxima é que você passa a enxergar. Cones e bastonetes? Você nunca precisou deles, eles não funcionam. Você sempre precisou de um amor, esse funciona. Sempre.
Um supermercado vira um parque de diversões. Um colo vira uma cama. Os olhos, uma câmera.
A saliva, o copo d'água.
Parece que as cores ficam mais claras. Os sons ficam mais harmoniosos. Os sonhos brincam de pega-pega na sua mão. Os anjos da guarda murmuram um louvor a Deus enquanto observam, de perto, aquelas duas almas desejosas de se fundirem de um vez por todas.
É na presença que você sente o bater do coração. O coração do outro. Você sente um calor fluir, mas nunca atinge o equilíbrio térmico. O gás carbônico nunca foi tão necessário quanto nesse momento. Você descobre que nunca precisou aprender a respirar, ele respira por você.
Ele é o próprio ar.
Na ausência você é pego se confessando pelos cantos. Pede perdão até pelo que nem cometeu, para que continue merecendo. Você vê o arco-íris cinza, a imagem turva no espelho. Porque ele é o espelho perfeito. Você franze o cenho pra uma espinha aqui, faz biquinho pra uma gordurinha ali, e ele discorda. O espelho fala contigo e te convence de que você está errada. Te chama de linda até você se convencer disso! Ele estende os braços e te aceita.
Quando ele está lá o mundo muda a todo instante. Você se vê em cima de uma árvore enquanto ele conta os seus sinaizinhos. O saguão do prédio vira um salão de beleza enquanto ele
Você sorri.
E quando ele te beija.. o mundo para. Você se esquece do próprio nome.
Quando ele não está lá, você faz de tudo pra sabotar a ausência. Você faz salgadinhos de queijo pra senti-lo mais perto. Ele adora seus salgadinhos...
Você gostaria que ele estivesse aqui. Mas nenhuma tristeza virá, nada virá pra enfraquecer o sentimento. Ele sempre estará aqui.
Ele e o sentimento.
Vou ali preparar uns salgadinhos de queijo.
E ele, com certeza, vai me jogar farinha e bagunçar meu cabelo.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
As Rodinhas.
Eu não pedi por isso. Mas de repente eu me vi em um velocípede. Teus olhos atentos me seguiam enquanto minhas pernas gordas e fracas experimentavam aquela nova experiência. Teus lábios sorriam com meu movimento descompassado e minha expressão triunfante ante cada conquista. Me davas banho, escolhias minhas roupas, meu penteado, meus lanches, meus desenhos animados, e eu tomava tuas escolhas como verdades porque nada sabia da vida.
Até que um dia me viste uma criança um pouco maior, uma criança que já não cabia no velocípede, então compraste uma bicicleta rosa e todos os apetrechos que me mantessem o mais segura possível. Senti medo, mas as rodinhas estavam lá, assim como tuas mãos cuidadosas que acompanhavam cada pedalada. Vez ou outra eu encontrava alguma pedra ou um buraco no caminho e caia, chorava, mas continuava. Sempre me consideraste teimosa e curiosa, mas talvez a minha vontade de ver as engrenagens de perto fosse maior do que o teu temor de eu me ferir.
Aos poucos o medo de andar sem tuas mãos foi sendo substituído pelo desejo de te orgulhar andando sozinha. E eu prossegui, às vezes por caminhos tortuosos. Lavava a louça e deixava a pia talvez mais limpa do que os pratos. Em certos momentos tuas mãos me aplaudiam, noutros eu via um olhar pensativo... achavas que eu corria demais.
Até que um dia eu me senti segura para tirar as rodinhas. Aprendi a tomar banho sozinha, escolher minhas roupas, fazer meu penteado, preparar meus lanches e curtir minhas músicas. Eu me vi pronta pra correr riscos, pra percorrer caminhos mais difíceis e levantar, caso caísse. As feridas de outrora me deixara mais resistente. No entanto, você não estava pronta.
Você não está pronta pra me tirar as rodinhas. Nunca esteve.
Você acha que vai ter aquela criança pra sempre, mas não vai.
É muito conveniente da sua parte me ter sempre em suas mãos, como um fantoche. Você me olha e ainda vê aquela menina de pernas gordas e fracas que não sabe amarrar o próprio cadarço. No meio do caminho eu mudei, e você não se deu conta. Cresci, mas minhas convicções não se tornaram as tuas. Cada passo que dou por caminhos não trilhados previamente por ti são para ti como um pisar despreocupado em um lago fundo. Como se eu estivesse constantemente a me jogar de um precipício. Você esqueceu de como é tirar as rodas. De como é sofrer as consequências boas ou ruins das próprias escolhas. Do sabor que tem as próprias escolhas.
E cada vez mais você me sufoca.
Me afasta.
E espera encontrar sempre o sorriso serelepe da criança ingênua, despreocupada e carente de cuidados que eu fui. Você tenta me assustar com o mundo, me fazer voltar ao berço como se o único lugar seguro fosse embaixo de tuas asas.
Isso é mentira. Isso é covardia.
Não sou uma máquina que se pode ajustar, um robozinho, para que com apenas um toque minhas emoções se convencionem às tuas . Hoje, não tomo mais suas escolhas como verdade. Minhas verdades têm alicerces mais seguros, mais eternos. Fundamentos maiores do que mim e ti.
Eu quero correr de bicicleta e sentir o vento no rosto. Eu quero te envaidecer sendo o que sou, não o que você espera que eu seja, sempre.
Não vou abrir mão de buscar minha felicidade só pra te orgulhar. Troféus são objetos solitários que não se alegram com as próprias vitórias.
E eu não quero ser um troféu que você coleciona.
Te diria tudo isso se soubesses ouvir, mas enquanto meu espírito se turba de impotência, o teu se preocupa em coligir rodinhas.
Cansei.
Tirei as rodinhas.
Vanêssa Aulette.
Até que um dia me viste uma criança um pouco maior, uma criança que já não cabia no velocípede, então compraste uma bicicleta rosa e todos os apetrechos que me mantessem o mais segura possível. Senti medo, mas as rodinhas estavam lá, assim como tuas mãos cuidadosas que acompanhavam cada pedalada. Vez ou outra eu encontrava alguma pedra ou um buraco no caminho e caia, chorava, mas continuava. Sempre me consideraste teimosa e curiosa, mas talvez a minha vontade de ver as engrenagens de perto fosse maior do que o teu temor de eu me ferir.
Aos poucos o medo de andar sem tuas mãos foi sendo substituído pelo desejo de te orgulhar andando sozinha. E eu prossegui, às vezes por caminhos tortuosos. Lavava a louça e deixava a pia talvez mais limpa do que os pratos. Em certos momentos tuas mãos me aplaudiam, noutros eu via um olhar pensativo... achavas que eu corria demais.
Até que um dia eu me senti segura para tirar as rodinhas. Aprendi a tomar banho sozinha, escolher minhas roupas, fazer meu penteado, preparar meus lanches e curtir minhas músicas. Eu me vi pronta pra correr riscos, pra percorrer caminhos mais difíceis e levantar, caso caísse. As feridas de outrora me deixara mais resistente. No entanto, você não estava pronta.
Você não está pronta pra me tirar as rodinhas. Nunca esteve.
Você acha que vai ter aquela criança pra sempre, mas não vai.
É muito conveniente da sua parte me ter sempre em suas mãos, como um fantoche. Você me olha e ainda vê aquela menina de pernas gordas e fracas que não sabe amarrar o próprio cadarço. No meio do caminho eu mudei, e você não se deu conta. Cresci, mas minhas convicções não se tornaram as tuas. Cada passo que dou por caminhos não trilhados previamente por ti são para ti como um pisar despreocupado em um lago fundo. Como se eu estivesse constantemente a me jogar de um precipício. Você esqueceu de como é tirar as rodas. De como é sofrer as consequências boas ou ruins das próprias escolhas. Do sabor que tem as próprias escolhas.
E cada vez mais você me sufoca.
Me afasta.
E espera encontrar sempre o sorriso serelepe da criança ingênua, despreocupada e carente de cuidados que eu fui. Você tenta me assustar com o mundo, me fazer voltar ao berço como se o único lugar seguro fosse embaixo de tuas asas.
Isso é mentira. Isso é covardia.
Não sou uma máquina que se pode ajustar, um robozinho, para que com apenas um toque minhas emoções se convencionem às tuas . Hoje, não tomo mais suas escolhas como verdade. Minhas verdades têm alicerces mais seguros, mais eternos. Fundamentos maiores do que mim e ti.
Eu quero correr de bicicleta e sentir o vento no rosto. Eu quero te envaidecer sendo o que sou, não o que você espera que eu seja, sempre.
Não vou abrir mão de buscar minha felicidade só pra te orgulhar. Troféus são objetos solitários que não se alegram com as próprias vitórias.
E eu não quero ser um troféu que você coleciona.
Te diria tudo isso se soubesses ouvir, mas enquanto meu espírito se turba de impotência, o teu se preocupa em coligir rodinhas.
Cansei.
Tirei as rodinhas.
Vanêssa Aulette.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Nó Na Garganta
Os ponteiros marcam 11h20, e eu sei que ele estará lá a qualquer momento. Sinto meu coração pulsar enquanto me dirijo ao seu caminho rotineiro, sua rota conhecida, em uma tentativa de cruzar nossas direções.O tempo passa... são 11h30 e eu me refugio na livraria ao lado, pra disfarçar meu intento. Meus olhos correm pelos livros, em uma mistura de disfarce e interesse... "Oh, um livro na promoção..." e lá vou eu ao caixa pagar um clássico de Aluísio de Azevedo. Olho pra o relógio, e já são 12h40... E ele não me apareceu... "Será que me distraí demais com os livros? Será que ele seguiu outra rota?"
Prossigo, ainda ansiosa, à loja de música, onde nos esbarramos da última vez. Será que eu teria a mesma sorte? Mas não... "Um raio não bate duas vezes no mesmo lugar", e esse não bateu também...
Começo a me turbar, procurando, em cada rosto que me passa, o único rosto que me tiraria de toda aquela angústia. Mas ele não vem. Cada rosto que passa só serve pra fazer volume na memória, não no coração. Esqueço-me do acaso que me fez parar ali e apresso o passo, andando a esmo, como que a intensidade do querer fosse direta e suficientemente proporcional à concretização do anseio de encontrá-lo...
Dirijo-me à parada de ônibus, um lugar cuja importância só nós sabemos. Reparo, ao longe, em um rosto moreno cansado, equilibrado pelo queixo com uma das mãos. Meu coração bate a galope ao pensar na possibilidade... Mas não, não era o meu rosto moreno que eu vi, era qualquer outro rosto, um rosto que deveria ser amado por um alguém... Mas não por mim. Era uma miragem.
"Quem sabe ele não estivesse com fome?" E lá vou eu, em meio às mesas, à procura dele. Sinto cheiro de pastel, mas cadê o cheiro dele? Olho para o relógio (mais uma vez), são 13h30.
E cai a ficha. Ele não está mais lá.
E, de repente, me falta o ar. O nó na garganta não me deixa respirar. Com facilidade, o nó começa a afrouxar, e as lágrimas brigam pra sair. E saem, e ardem sem piedade nos meus olhos cansados da solidão.
Minhas pernas me impulsionam a continuar andando, andam por vontade própria. Porque essa eu já não tenho. Compro uma barra de chocolate pra afogar as mágoas, antes que eu me afogue em lágrimas.
E volto pra casa com um livro na mão, uma ferida no pé, uma aperto no coração e uma saudade corrosiva. Uma saudade que me agarra a cada despedida. Uma saudade que revisita suas mãos macias brincando com as minhas, o roçar da minha bochecha na sua barba mal feita, sua voz suave, os olhos distantes de quem não presta atenção em uma palavra do que eu digo, suas falsas despedidas que só servem de pretexto pra me envolver em seus braços.
Mas ele não está aqui, agora.
Só me resta me agarrar aos meus sonhos e às minhas lembranças e tentar sobreviver a mais um dia.
Ou a vários.
Ou à eternidade que é não ter as mãos naquele rosto moreno...
Vanêssa Aulette.
domingo, 11 de setembro de 2011
Tudo Tem o Seu Tempo
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito
debaixo do céu." (Eclesiastes 3.1)
Há tempo de estar calado, e tempo de falar. Há momentos em que mesmo de boca fechada a mente grita. Minhas ideias mais brilhantes surgiram na serenidade dos meus pensamentos. Só ssim se consegue ouvir claramente. E aceitar.
O tempo é mais Hardcore do que se imagina. Às vezes é usado como antídoto para um relacionamento mal resolvido. Mas às vezes o tempo não cura nem um pouco. Apenas permanece parado enquanto duas almas se apaixonam ou deixam de amar de novo. Às vezes você até encontra a pessoa certa, mas provavelmente vocês vão estar em tempos diferentes. Você já se entregou de corpo e alma ao amor e se quebrou em cacos, mas superou as muitas perdas, espanou o medo pra debaixo do tapete, está pronta pra tentar de novo. Ele deve ter amado muito, mas algo deu errado e tudo foi em vão. Hoje, ele se bloqueia. Ele teme.
Ficar com alguém é muito uma questão de sorte. Tem que estar no mesmo tempo, na mesma sintonia, na mesma vontade. Tem que estar embrulhado pra presente e pronto pra entrega. Vale esperar? Deve valer. Vamos pensar que é apenas uma questão de tempo e circunstância. Às vezes você tem que guardar o que sente até chegar a hora certa. É como guardar moedas num cofrinho para comprar uma bicicleta.
Até comprar a bicicleta é preciso muito mais do que ser forte. É necessário dosar, saber a hora certa de baixar a guarda. Se render ao amor. Ser surpreendido fazendo planos. Deixar-se ser menino, ser sensível, ser bobo. Até que venha a certeza. Quando você a tem, você confia, você acredita, você dá uma chance, você aposta tudo o que tem sem se preocupar com as consequências.
Enquanto o tempo certo não chega só mostramos parte do sentimento. A outra parte só observa, fica no bolso pra quando solicitada.
Já plantei. É tempo de se preparar para a colheita, na espera de prosseguir com o que foi interrompido. Recomeçar é sempre bom e faz bem. Tem gosto de fruta tirada do pé, fresquinha. É reconfortante.
"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia..."Temos a chance de fazer tudo diferente, e devemos agarrá-la com todas as forças. A vida é breve. Talvez devêssemos ser gratos pelo tempo que poderemos passar juntos, e parar de nos apegar ao que poderia ter sido.
Não se deixa escapar aquilo que é verdadeiro.
Vale à pena pagar pra ver o amor acontecer de novo.
Sempre.
Vanêssa Aulette
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