Escrevo pelo medo que tenho dessa sensação ir embora quando a noite acabar. Amanhã tenho um dia cheio, mas não, não posso deixar isso passar. Quando na penumbra me aprontava para dormir, na cabeceira da cama um clarão notei. Cheguei-me mais para perto para descobrir a origem daquela luz. Era ela, majestosa lua cheia que se amostrava pela minha janela e eu logo na cama me pus. Não conseguia dormir... não consigo... nunca vi algo com tamanha força de atração do meu olhar... A lua hipinotisa.
Não é justo, não é justo todos dormirem logo agora que ela se impõe bela, fermosa... falta de respeito, eu diria, com algo que só Deus mesmo pode ter moldado tão belamente com as próprias mãos. A noite está simplesmente linda... fico imaginando o quanto a natureza não se hipnotizou com esse astro na primeira noite.... Adão e Erva a sós na terra... nus sob a luz do luar... não imagino algo mais romântico. E a lua continua tão linda quanto da primeira vez...
Não consigo pensar em nada, esqueço de tudo ao fitá-la... alegrias, tristezas... são todas remediadas, efeito da hipnose lunar...
Eu poderia virar a noite acordada, fitando a lua... mas essa força está além de mim. Poderia escrever sob a sua luz.. até ela se esconder de mim. Filosofaria tanto que não haveria papel suficiente para descrever essa sensação, descobertas que me vêm em mente, sob a luz do luar...
Felizes são as corujas, ah como são... Aos poucos vou me entregando ao sono enquanto a pena me cai da mão... me desligando do mundo e agradecendo a Deus por toda essa perfeição.
Vanêssa Aulette
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Hipnose lunar
Procurei num dia claro e não achei
O que no céu noturno encontrei
No céu estrelado destacava-se ela
Garbosa, fermosa lua bela
Trazendo na noite um pouco do dia
Iluminando minha face através da janela
Quando de repente a nuvem a cobria
Através das sombras ainda fitava ela
Em pouco apareceria de novo ali
E aquele arqueótipo de astro
Tinha efeito hipnótico sobre mim...
O que no céu noturno encontrei
No céu estrelado destacava-se ela
Garbosa, fermosa lua bela
Trazendo na noite um pouco do dia
Iluminando minha face através da janela
Quando de repente a nuvem a cobria
Através das sombras ainda fitava ela
Em pouco apareceria de novo ali
E aquele arqueótipo de astro
Tinha efeito hipnótico sobre mim...
Quimera
Senhor, não sabes a alegria que me trazes
Quando na colheita da manhã vejo a ti
Confusa fico por não te sentir sentir
Pois como a lua, senhor, pareces ter fases
Às vezes me abraças como quem nada quer
Me larga a esperar um recado seu
Queira Deus, mio senhor, que errada esteja eu
Mas parece que não sentes-me tua mulher
Como que chegada, enfim, nossa primavera
Tu trazes-me, senhor, lindas flores do campo
Somadas ao teu olhar tal efeito faz
Como em terno desvario, desfaz-se a quimera
Como o vento vai-se silencioso o tormento
Pelo efeito que teu amor me traz, a paz
Quando na colheita da manhã vejo a ti
Confusa fico por não te sentir sentir
Pois como a lua, senhor, pareces ter fases
Às vezes me abraças como quem nada quer
Me larga a esperar um recado seu
Queira Deus, mio senhor, que errada esteja eu
Mas parece que não sentes-me tua mulher
Como que chegada, enfim, nossa primavera
Tu trazes-me, senhor, lindas flores do campo
Somadas ao teu olhar tal efeito faz
Como em terno desvario, desfaz-se a quimera
Como o vento vai-se silencioso o tormento
Pelo efeito que teu amor me traz, a paz
sábado, 24 de abril de 2010
A mão e o piano
Já passava das 2h da manhã... ela não conseguia dormir... Sua memória insistia em repassar os fatos: uma mão e um piano. Talvez não fosse a memória insistente, mas a própria, que relembrando os doces fatos se sentia muito bem...
Mas precisava dormir, assim a noite passaria mais rápido e, com um pouco de sorte, sonharia com a mão e o piano... e poderia ver a mão outra vez, de manhã. E poderia sentir o calor da mão outra vez... e relembraria os fatos: a doce mão e o piano...
Como se a boca secasse, levantou-se e foi beber um pouco d'água. Um longo caminho até a cozinha... móveis de madeira antigos... arranjo de flores... quadros trovadorescos... e tudo lhe lembrava os fatos: a mão e o doce piano...
Na cozinha, pegou um copo verde e encheu-o d'água... por incrível que pareça isso também lhe lembrara os fatos... Se dirigindo ao quarto parou abruptamente ao olhar pela varanda... lembrara-se de algo... e isso a fazia se sentir bem...
Aproximou-se e sentou-se na cadeira de balanço para admirar o céu estrelado... relembrava os fatos: as mão sobrepostas e o piano.
O embalo da cadeira e o vislumbre das estrelas a fez figurar que a doce melodia dos doces dedos no doce piano era uma canção de ninar...
Adormeceu.
Vanêssa Aulette
Mas precisava dormir, assim a noite passaria mais rápido e, com um pouco de sorte, sonharia com a mão e o piano... e poderia ver a mão outra vez, de manhã. E poderia sentir o calor da mão outra vez... e relembraria os fatos: a doce mão e o piano...
Como se a boca secasse, levantou-se e foi beber um pouco d'água. Um longo caminho até a cozinha... móveis de madeira antigos... arranjo de flores... quadros trovadorescos... e tudo lhe lembrava os fatos: a mão e o doce piano...
Na cozinha, pegou um copo verde e encheu-o d'água... por incrível que pareça isso também lhe lembrara os fatos... Se dirigindo ao quarto parou abruptamente ao olhar pela varanda... lembrara-se de algo... e isso a fazia se sentir bem...
Aproximou-se e sentou-se na cadeira de balanço para admirar o céu estrelado... relembrava os fatos: as mão sobrepostas e o piano.
O embalo da cadeira e o vislumbre das estrelas a fez figurar que a doce melodia dos doces dedos no doce piano era uma canção de ninar...
Adormeceu.
Vanêssa Aulette
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Uma carta a ti
(Quem encontrar essa carta por favor entregue a meu secreto amor...)
Amado meu, agora posso dizer sem dúvidas que meu coração é seu,
Que eu não deveria ter de ti me afastado,
Que se eu pudesse fazer algo eu faria para ter meu passado mudado,
Recostruiria um novo presente... ao seu lado,
Quem sabe assim eu não teria sofrido,
Quem sabe assim eu teria sido realmente amada,
Quem sabe assim meu coração não estivesse partido,
Quem sabe assim eu não me sentiria desprezada...
Se não me amas mais como outrora amava,
A culpa é minha de ter me desviado de ti,
Mas te rogo, te suplico!
Volte atrás, não desistas de mim!
Conto os dias para te ver,
E as noites para sonhar contigo,
No peito uma vontade louca de dizer
Que não quero mais te ter só como amigo!
Tu que tens os lábios feitos para o beijo,
Os braços, para os abraços,
Os olhos, para o cortejo,
Ah, como eu queria tar em teus braços...
Se receberdes esta carta saberás quem te escreve,
E se porventura ainda me amares,
Pensa em mim, que eu tou pensando em você,
E me diz o que eu quero te dizer!...
...Te amo...
Vanêssa Aulette
Amado meu, agora posso dizer sem dúvidas que meu coração é seu,
Que eu não deveria ter de ti me afastado,
Que se eu pudesse fazer algo eu faria para ter meu passado mudado,
Recostruiria um novo presente... ao seu lado,
Quem sabe assim eu não teria sofrido,
Quem sabe assim eu teria sido realmente amada,
Quem sabe assim meu coração não estivesse partido,
Quem sabe assim eu não me sentiria desprezada...
Se não me amas mais como outrora amava,
A culpa é minha de ter me desviado de ti,
Mas te rogo, te suplico!
Volte atrás, não desistas de mim!
Conto os dias para te ver,
E as noites para sonhar contigo,
No peito uma vontade louca de dizer
Que não quero mais te ter só como amigo!
Tu que tens os lábios feitos para o beijo,
Os braços, para os abraços,
Os olhos, para o cortejo,
Ah, como eu queria tar em teus braços...
Se receberdes esta carta saberás quem te escreve,
E se porventura ainda me amares,
Pensa em mim, que eu tou pensando em você,
E me diz o que eu quero te dizer!...
...Te amo...
Vanêssa Aulette
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
No desenrolar da noite...
Ouço mais uma vez o barulho do silêncio...
A noite é tão bela...
Os pássaros dormem, as pessoas dormem, a cidade dorme...
A cidade dorme...
Tranquilidade... é tão bom... sossego... estar só, pelo menos se sentir só... enquanto estão todos apagados...
O silêncio não tem preço... não há som mais reconfortante que o silêncio... diferente do dia... onde tudo é motivo para falatório... só de pensar já me perturbo!... melhor continuar contemplando o silêncio enquanto posso...
A noite é mágica...
A brisa do sereno entrando pela varanda...
Enquanto você conta as estrelas... e espera ansioso por uma cadente...
E vê pela janela do vizinho luzes mudando de cor... provavelmente a TV ligada de algum sonâmbulo que pegou no sono...
Você olha no horizonte e vê casas e mais casas... telhados e mais telhados...
Tudo num silêncio... num silêncio confortante...
Às vezes eu me pergunto se eu quero mesmo dormir... e perder de ver a noite passar...
Talvez não valha apena... eu já estou sem sono mesmo...
O céu começa a ficar acinzentado...
Ouço o galo cantando longe... agora é que desisto das tentativas de adormecer...
Já que estou acordada mesmo... não posso perder de ver o sol nascer...
De cinza o céu passa a branco... de branco aos poucos vai alaranjando no horizonte...
Aos poucos ele vai subindo... majestoso... cálido...
Não posso perder esse momento! Em pouco já não conseguirei deslumbrar essa bola de fogo olho no olho!...
A cidade vai acordando aos poucos...
A TV vizinha já desligada...
Pessoas passam com outras pessoas prontas para caminhar...
De repente eu reparo no céu... um jogo de cores... violeta... amarelo... laranja... azul... magnífico...
O sol... o sol já vai subindo... ao ponto de não se poder mais diretamente olhar...
A cidade vai acordando aos poucos...
Nem sei se durmo agora... talvez eu durma... talvez eu consiga continuar só no meu mundo...enquanto as pessoas acordam...
Sinto uma pontada de orgulho... privilégio... de ter presenciado o que os outros não presenciaram... de ter visto a noite passar tão rápida enquanto me hipnotizava no seu ceú estrelado e noutros mistérios... que só entende quem presencia... como uma sonâmbula como eu...
Vanêssa Aulette
A noite é tão bela...
Os pássaros dormem, as pessoas dormem, a cidade dorme...
A cidade dorme...
Tranquilidade... é tão bom... sossego... estar só, pelo menos se sentir só... enquanto estão todos apagados...
O silêncio não tem preço... não há som mais reconfortante que o silêncio... diferente do dia... onde tudo é motivo para falatório... só de pensar já me perturbo!... melhor continuar contemplando o silêncio enquanto posso...
A noite é mágica...
A brisa do sereno entrando pela varanda...
Enquanto você conta as estrelas... e espera ansioso por uma cadente...
E vê pela janela do vizinho luzes mudando de cor... provavelmente a TV ligada de algum sonâmbulo que pegou no sono...
Você olha no horizonte e vê casas e mais casas... telhados e mais telhados...
Tudo num silêncio... num silêncio confortante...
Às vezes eu me pergunto se eu quero mesmo dormir... e perder de ver a noite passar...
Talvez não valha apena... eu já estou sem sono mesmo...
O céu começa a ficar acinzentado...
Ouço o galo cantando longe... agora é que desisto das tentativas de adormecer...
Já que estou acordada mesmo... não posso perder de ver o sol nascer...
De cinza o céu passa a branco... de branco aos poucos vai alaranjando no horizonte...
Aos poucos ele vai subindo... majestoso... cálido...
Não posso perder esse momento! Em pouco já não conseguirei deslumbrar essa bola de fogo olho no olho!...
A cidade vai acordando aos poucos...
A TV vizinha já desligada...
Pessoas passam com outras pessoas prontas para caminhar...
De repente eu reparo no céu... um jogo de cores... violeta... amarelo... laranja... azul... magnífico...
O sol... o sol já vai subindo... ao ponto de não se poder mais diretamente olhar...
A cidade vai acordando aos poucos...
Nem sei se durmo agora... talvez eu durma... talvez eu consiga continuar só no meu mundo...enquanto as pessoas acordam...
Sinto uma pontada de orgulho... privilégio... de ter presenciado o que os outros não presenciaram... de ter visto a noite passar tão rápida enquanto me hipnotizava no seu ceú estrelado e noutros mistérios... que só entende quem presencia... como uma sonâmbula como eu...
Vanêssa Aulette
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
"A última que há de ser aniquilada..."
Sentada em sua poltrona tricotando... O crepúsculo estava chegando... Mas, de repente, tudo foi ficando claro... Não o clarão comum dos últimos raios de sol entrando pela janela... Mas um clarão frio... De repente sentiu um calafrio... As dores da velhice já não estavam doendo como antes e em pouco tempo não mais doeriam...
Ela sentia o que era... Já estava esperando pela levadora de almas encapuzada e negra... Para alguns, um tormento... Mas para ela, a morte era um descanso... A curiosidade: O que viria depois?... Ela não sabia, mas concerteza, algo melhor... Dizem que quando se morre a vida toda lhe passa pelos olhos... Só há um jeito de saber... morrendo... E foi assim com a velha... Tudo passou tão rápido... as tristezas... alegrias... Reviu todos, viu até os amigos que a tempo já não via...
De repente se encheu de alegria... Viu outra vez aqueles olhos que em sonho vez ou outra, via... Lembrou do primeiro beijo... Do seu primeiro amor... Do primeiro que a deixou, mas do último que na vida se esqueceria... Em pouco tempo esse flash back acabaria... Por mais que se esperneie, ou se condene os deuses, quando chega a nossa hora agente tem que aceitar...
Suas pálpebras já estavam pesando...
E fechando...
Ela sentiu o gosto daquele beijo...
E em último relance...
Vislumbrou aqueles lindos olhos verdes...
Vanêssa Aulette
Ela sentia o que era... Já estava esperando pela levadora de almas encapuzada e negra... Para alguns, um tormento... Mas para ela, a morte era um descanso... A curiosidade: O que viria depois?... Ela não sabia, mas concerteza, algo melhor... Dizem que quando se morre a vida toda lhe passa pelos olhos... Só há um jeito de saber... morrendo... E foi assim com a velha... Tudo passou tão rápido... as tristezas... alegrias... Reviu todos, viu até os amigos que a tempo já não via...
De repente se encheu de alegria... Viu outra vez aqueles olhos que em sonho vez ou outra, via... Lembrou do primeiro beijo... Do seu primeiro amor... Do primeiro que a deixou, mas do último que na vida se esqueceria... Em pouco tempo esse flash back acabaria... Por mais que se esperneie, ou se condene os deuses, quando chega a nossa hora agente tem que aceitar...
Suas pálpebras já estavam pesando...
E fechando...
Ela sentiu o gosto daquele beijo...
E em último relance...
Vislumbrou aqueles lindos olhos verdes...
Vanêssa Aulette
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