Corria no escuro desesperada, a
esmo, sem esperança alguma até que, de angústia,
resolvi gritar e algo novo aconteceu: um outro grito me respondeu. Perguntei onde ele estava. Ele, tão desesperado quanto eu, também perguntara o mesmo. Minha resposta
fe-lo responder também mas parecia ainda muito vago, estávamos no escuro.
Perguntei-lhe o que o fez parar ali. Ele respondeu-me com a mesma pergunta. Por um momento pensei em lembra-lhe que eu tinha perguntado primeiro mas deixei passar, não queria me estranhar com a única voz q me fazia
contato depois de tanto tempo. Expliquei-lhe cada detalhe sórdido, que ao ser lembrado
remexia a ferida em meu peito. Meu companheiro de conversa o mesmo respondia, quase que imediatamente. Fiquei feliz em saber que a voz poderia me
compreender desse modo, não era a única que sofria assim.
Já não corria mais, sentei-me onde pude me achegar tentando me manter distraída com a situação. A cada minuto de conversa me sentia cada vez mais intimamente ligada à voz,
tínhamos muito em comum, pra não dizer tudo. No entanto, uma coisa me deixava irritada: a voz em tudo me remendava, como que zombando de mim, mas
preferi pensar que era
apenas coincidência. A essa altura não havíamos nos apresentado formalmente. Perguntei-lhe o seu nome e, por
coincidencia, ela também perguntou o mesmo.
Ao tempo que eu respondia, ela também se apresentava com o mesmo nome, o mesmo sobrenome. Como que sendo atingida bruscamente no rosto, caí em mim. Eu conversava, na verdade, com o eco da minha voz. A descoberta foi o bastante para rasgar de vez a ferida em meu peito.
Percebi que eu estava presa, solitária e angustiada em um buraco cuja
existência eu sabia, porém não fazia
ideia de suas
dimensões...
Vanêssa Aulette