Corria no escuro desesperada, a esmo, sem esperança alguma até que, de angústia, resolvi gritar e algo novo aconteceu: um outro grito me respondeu. Perguntei onde ele estava. Ele, tão desesperado quanto eu, também perguntara o mesmo. Minha resposta fe-lo responder também mas parecia ainda muito vago, estávamos no escuro.
Perguntei-lhe o que o fez parar ali. Ele respondeu-me com a mesma pergunta. Por um momento pensei em lembra-lhe que eu tinha perguntado primeiro mas deixei passar, não queria me estranhar com a única voz q me fazia contato depois de tanto tempo. Expliquei-lhe cada detalhe sórdido, que ao ser lembrado remexia a ferida em meu peito. Meu companheiro de conversa o mesmo respondia, quase que imediatamente. Fiquei feliz em saber que a voz poderia me compreender desse modo, não era a única que sofria assim.
Já não corria mais, sentei-me onde pude me achegar tentando me manter distraída com a situação. A cada minuto de conversa me sentia cada vez mais intimamente ligada à voz, tínhamos muito em comum, pra não dizer tudo. No entanto, uma coisa me deixava irritada: a voz em tudo me remendava, como que zombando de mim, mas preferi pensar que era apenas coincidência. A essa altura não havíamos nos apresentado formalmente. Perguntei-lhe o seu nome e, por coincidencia, ela também perguntou o mesmo.
Ao tempo que eu respondia, ela também se apresentava com o mesmo nome, o mesmo sobrenome. Como que sendo atingida bruscamente no rosto, caí em mim. Eu conversava, na verdade, com o eco da minha voz. A descoberta foi o bastante para rasgar de vez a ferida em meu peito. Percebi que eu estava presa, solitária e angustiada em um buraco cuja existência eu sabia, porém não fazia ideia de suas dimensões...
Vanêssa Aulette
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Primeiro beijo
O amor é um sentimento tão profundo que nem um verbete de dicionário seria capaz de explicá-lo. Amor à primeira vista acredito que não existe. Para se amar uma pessoa você tem que conhecê-la melhor, do contrário, é paixão. Não se chega ao amor senão pela amizade...
Se me perguntassem o que sela o amor eu diria: O beijo. O beijo da mãe no seu filho, o beijo de amigos que se reencontram, mas nada se compara ao primeiro beijo louco e apaixonado de um amor inocente e juvenil.
Não se sabe o que é 'borboletas no estômago' até provar o primeiro beijo. O coração dispara, é como levar um choque, só que é bom. Sensação única e mágica. O primeiro de dois jovens que aprendem juntos, que compartilham da mesma sensação.
Pode ser selinho, pode ser pra valer, não importa. A essência da ternura não muda.
Como eu já disse, nada se compara ao primeiro beijo louco e apaixonado. É uma porta que se abre para a vida, a primeira de muitas outras que se abrirão...
Vanêssa Aulette
Se me perguntassem o que sela o amor eu diria: O beijo. O beijo da mãe no seu filho, o beijo de amigos que se reencontram, mas nada se compara ao primeiro beijo louco e apaixonado de um amor inocente e juvenil.
Não se sabe o que é 'borboletas no estômago' até provar o primeiro beijo. O coração dispara, é como levar um choque, só que é bom. Sensação única e mágica. O primeiro de dois jovens que aprendem juntos, que compartilham da mesma sensação.
Pode ser selinho, pode ser pra valer, não importa. A essência da ternura não muda.
Como eu já disse, nada se compara ao primeiro beijo louco e apaixonado. É uma porta que se abre para a vida, a primeira de muitas outras que se abrirão...
Vanêssa Aulette
Lar, doce lar
Foi como despertar de um pesadelo. Com o coração cheio de amor me dirigi ao meu verdadeiro lar, contando os segundos para senti-los de perto. Chegada a hora, foi como recordar aos poucos do íntimo do meu lar, vendo cada rosto... Aos poucos o sono ficando profundo e mais profundo ainda meu sonho... rostos conhecidos... abraços!
Entrei em êxtase ao ver tantos deles ao mesmo tempo. Como uma criança curiosa em lugar estranho, fitei cada rosto com profunda satisfação, procurando entre a multidão os meus rostos preferidos. A única diferença era que em vez de estranho, o lugar me era muito familiar, era meu verdadeiro lar...
A cada rosto querido encontrado meu coração se enchia de alegria, porém, ainda procurava esperançosa o rosto que eu mais queria. De repente, não mais que de repente, encontrei-o me fitando na esperança de eu notá-lo. Sim, estou aqui te vendo! Como desejei correr para seus braços... era só ter um pouco de paciência...
Entre a multidão de rostos conhecidos, os vi! Queridos rostos sorrindo para mim e braços me envolvendo num abraço apertado, abraços urgentes, abraços de amor. Senti-me muito feliz, porém, não reencontrei o rosto querido que a pouco via... Andei, procurei... não achei! Não me senti mais triste, porém, menos feliz...
À procura de outros rostos achei o de minha mocidade... envolvi-o num abraço apertado, demorado, abraço de verdade, com o corpo. Paixão? Não... eu diria: carinho profundo por um rosto que muito me marcou, um rosto infantil, um rosto de pirralho...
Apesar dos pesares, beijei, abracei, beijei, abracei, abracei, abracei... abracei demais. Oh, abraço, como alivias minha'lma! Aos poucos os rostos queridos foram ficando escassos, o sonho foi acabando... despedidas, abraços, saudade... apartava-me do meu lar...
Foi como despertar de um sonho bom...
Vanêssa Aulette
Entrei em êxtase ao ver tantos deles ao mesmo tempo. Como uma criança curiosa em lugar estranho, fitei cada rosto com profunda satisfação, procurando entre a multidão os meus rostos preferidos. A única diferença era que em vez de estranho, o lugar me era muito familiar, era meu verdadeiro lar...
A cada rosto querido encontrado meu coração se enchia de alegria, porém, ainda procurava esperançosa o rosto que eu mais queria. De repente, não mais que de repente, encontrei-o me fitando na esperança de eu notá-lo. Sim, estou aqui te vendo! Como desejei correr para seus braços... era só ter um pouco de paciência...
Entre a multidão de rostos conhecidos, os vi! Queridos rostos sorrindo para mim e braços me envolvendo num abraço apertado, abraços urgentes, abraços de amor. Senti-me muito feliz, porém, não reencontrei o rosto querido que a pouco via... Andei, procurei... não achei! Não me senti mais triste, porém, menos feliz...
À procura de outros rostos achei o de minha mocidade... envolvi-o num abraço apertado, demorado, abraço de verdade, com o corpo. Paixão? Não... eu diria: carinho profundo por um rosto que muito me marcou, um rosto infantil, um rosto de pirralho...
Apesar dos pesares, beijei, abracei, beijei, abracei, abracei, abracei... abracei demais. Oh, abraço, como alivias minha'lma! Aos poucos os rostos queridos foram ficando escassos, o sonho foi acabando... despedidas, abraços, saudade... apartava-me do meu lar...
Foi como despertar de um sonho bom...
Vanêssa Aulette
sexta-feira, 30 de abril de 2010
No desenrolar do luar...
Escrevo pelo medo que tenho dessa sensação ir embora quando a noite acabar. Amanhã tenho um dia cheio, mas não, não posso deixar isso passar. Quando na penumbra me aprontava para dormir, na cabeceira da cama um clarão notei. Cheguei-me mais para perto para descobrir a origem daquela luz. Era ela, majestosa lua cheia que se amostrava pela minha janela e eu logo na cama me pus. Não conseguia dormir... não consigo... nunca vi algo com tamanha força de atração do meu olhar... A lua hipinotisa.
Não é justo, não é justo todos dormirem logo agora que ela se impõe bela, fermosa... falta de respeito, eu diria, com algo que só Deus mesmo pode ter moldado tão belamente com as próprias mãos. A noite está simplesmente linda... fico imaginando o quanto a natureza não se hipnotizou com esse astro na primeira noite.... Adão e Erva a sós na terra... nus sob a luz do luar... não imagino algo mais romântico. E a lua continua tão linda quanto da primeira vez...
Não consigo pensar em nada, esqueço de tudo ao fitá-la... alegrias, tristezas... são todas remediadas, efeito da hipnose lunar...
Eu poderia virar a noite acordada, fitando a lua... mas essa força está além de mim. Poderia escrever sob a sua luz.. até ela se esconder de mim. Filosofaria tanto que não haveria papel suficiente para descrever essa sensação, descobertas que me vêm em mente, sob a luz do luar...
Felizes são as corujas, ah como são... Aos poucos vou me entregando ao sono enquanto a pena me cai da mão... me desligando do mundo e agradecendo a Deus por toda essa perfeição.
Vanêssa Aulette
Não é justo, não é justo todos dormirem logo agora que ela se impõe bela, fermosa... falta de respeito, eu diria, com algo que só Deus mesmo pode ter moldado tão belamente com as próprias mãos. A noite está simplesmente linda... fico imaginando o quanto a natureza não se hipnotizou com esse astro na primeira noite.... Adão e Erva a sós na terra... nus sob a luz do luar... não imagino algo mais romântico. E a lua continua tão linda quanto da primeira vez...
Não consigo pensar em nada, esqueço de tudo ao fitá-la... alegrias, tristezas... são todas remediadas, efeito da hipnose lunar...
Eu poderia virar a noite acordada, fitando a lua... mas essa força está além de mim. Poderia escrever sob a sua luz.. até ela se esconder de mim. Filosofaria tanto que não haveria papel suficiente para descrever essa sensação, descobertas que me vêm em mente, sob a luz do luar...
Felizes são as corujas, ah como são... Aos poucos vou me entregando ao sono enquanto a pena me cai da mão... me desligando do mundo e agradecendo a Deus por toda essa perfeição.
Vanêssa Aulette
Hipnose lunar
Procurei num dia claro e não achei
O que no céu noturno encontrei
No céu estrelado destacava-se ela
Garbosa, fermosa lua bela
Trazendo na noite um pouco do dia
Iluminando minha face através da janela
Quando de repente a nuvem a cobria
Através das sombras ainda fitava ela
Em pouco apareceria de novo ali
E aquele arqueótipo de astro
Tinha efeito hipnótico sobre mim...
O que no céu noturno encontrei
No céu estrelado destacava-se ela
Garbosa, fermosa lua bela
Trazendo na noite um pouco do dia
Iluminando minha face através da janela
Quando de repente a nuvem a cobria
Através das sombras ainda fitava ela
Em pouco apareceria de novo ali
E aquele arqueótipo de astro
Tinha efeito hipnótico sobre mim...
Quimera
Senhor, não sabes a alegria que me trazes
Quando na colheita da manhã vejo a ti
Confusa fico por não te sentir sentir
Pois como a lua, senhor, pareces ter fases
Às vezes me abraças como quem nada quer
Me larga a esperar um recado seu
Queira Deus, mio senhor, que errada esteja eu
Mas parece que não sentes-me tua mulher
Como que chegada, enfim, nossa primavera
Tu trazes-me, senhor, lindas flores do campo
Somadas ao teu olhar tal efeito faz
Como em terno desvario, desfaz-se a quimera
Como o vento vai-se silencioso o tormento
Pelo efeito que teu amor me traz, a paz
Quando na colheita da manhã vejo a ti
Confusa fico por não te sentir sentir
Pois como a lua, senhor, pareces ter fases
Às vezes me abraças como quem nada quer
Me larga a esperar um recado seu
Queira Deus, mio senhor, que errada esteja eu
Mas parece que não sentes-me tua mulher
Como que chegada, enfim, nossa primavera
Tu trazes-me, senhor, lindas flores do campo
Somadas ao teu olhar tal efeito faz
Como em terno desvario, desfaz-se a quimera
Como o vento vai-se silencioso o tormento
Pelo efeito que teu amor me traz, a paz
sábado, 24 de abril de 2010
A mão e o piano
Já passava das 2h da manhã... ela não conseguia dormir... Sua memória insistia em repassar os fatos: uma mão e um piano. Talvez não fosse a memória insistente, mas a própria, que relembrando os doces fatos se sentia muito bem...
Mas precisava dormir, assim a noite passaria mais rápido e, com um pouco de sorte, sonharia com a mão e o piano... e poderia ver a mão outra vez, de manhã. E poderia sentir o calor da mão outra vez... e relembraria os fatos: a doce mão e o piano...
Como se a boca secasse, levantou-se e foi beber um pouco d'água. Um longo caminho até a cozinha... móveis de madeira antigos... arranjo de flores... quadros trovadorescos... e tudo lhe lembrava os fatos: a mão e o doce piano...
Na cozinha, pegou um copo verde e encheu-o d'água... por incrível que pareça isso também lhe lembrara os fatos... Se dirigindo ao quarto parou abruptamente ao olhar pela varanda... lembrara-se de algo... e isso a fazia se sentir bem...
Aproximou-se e sentou-se na cadeira de balanço para admirar o céu estrelado... relembrava os fatos: as mão sobrepostas e o piano.
O embalo da cadeira e o vislumbre das estrelas a fez figurar que a doce melodia dos doces dedos no doce piano era uma canção de ninar...
Adormeceu.
Vanêssa Aulette
Mas precisava dormir, assim a noite passaria mais rápido e, com um pouco de sorte, sonharia com a mão e o piano... e poderia ver a mão outra vez, de manhã. E poderia sentir o calor da mão outra vez... e relembraria os fatos: a doce mão e o piano...
Como se a boca secasse, levantou-se e foi beber um pouco d'água. Um longo caminho até a cozinha... móveis de madeira antigos... arranjo de flores... quadros trovadorescos... e tudo lhe lembrava os fatos: a mão e o doce piano...
Na cozinha, pegou um copo verde e encheu-o d'água... por incrível que pareça isso também lhe lembrara os fatos... Se dirigindo ao quarto parou abruptamente ao olhar pela varanda... lembrara-se de algo... e isso a fazia se sentir bem...
Aproximou-se e sentou-se na cadeira de balanço para admirar o céu estrelado... relembrava os fatos: as mão sobrepostas e o piano.
O embalo da cadeira e o vislumbre das estrelas a fez figurar que a doce melodia dos doces dedos no doce piano era uma canção de ninar...
Adormeceu.
Vanêssa Aulette
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